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qua. out 16th, 2019

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O InSitte Blog é uma revista 100% eletrônica de cultura, entreterimento e esporte juiz-forano que trabalha com os mais variados assuntos a nível nacional e internacional.

Suzana Nascimento, de JF para o mundo

4 min read

Atriz, de carisma cativante e dona de um dos alter egos mais engraçados e inteligentes que já pude presenciar, cujo nome faço questã (no mineirês), como diria ela de citar. Que é a dona Zaninha.

Suzana Nascimento é juiz-forana de corpo e alma. Sua ligação com o teatro teve início ainda criança, quando utilizava da arte cênica como ferramenta didática para explicar o evangelho para as crianças.  “Nessa época eu ainda era criança também, rsrsrsr…”. Revelou.

“Depois fui crescendo e fazendo peças na escola, sempre numa posição de organizar tudo, pensar tudo, pensando no todo”. Disse.

Suzana Nascimento – Foto: Arquivo Pessoal

Passados alguns anos, Suzana conta que fundou com a ajuda de alguns amigos, um grupo de teatro no bairro Ipiranga que inicialmente se apresentava em missas comemorativas

“Páscoa, Natal, e por aí vai…’’.

Com o tempo, decidiu pegar temas mais diversificados e sem ligação com assuntos religiosos. “Ficamos atuantes por 4 anos rodando as comunidades da região”.

Estudou no Teatro Pró-Música e, no auge dos 14 anos assistiu à peça ‘Romeu e Julieta’ do Grupo Galpão no Parque Halfeld.  “ Naquele dia eu tive a certeza de que era isso que eu ia fazer da minha vida”.

Suzana Nascimento como Dona Zaninha, durante a peça “Calango Deu!”- Foto: Arquivo Pessoal

O COTIDIANO NO TEATRO BRASILEIRO

Viver do teatro, agora mais do que nunca, é uma luta diária.  Suzana Nascimento comentou que ao longo dos anos teve que aprender a ser independente e se produzir para conseguir abrir os caminhos de sua carreira como atriz.

“Aprendi a não ficar esperando o telefone tocar. Passei a ligar. Depois de Calango Deu, meu telefone passou a tocar com diversos convites”.

Entre os fatores que ajudaram a se destacar no teatro, ela comentou que a peça ‘Calango Deu’ foi um grande divisor de águas. Porém, ressalta que se orgulha sempre de tudo o que faz, pois, cada projeto teve sua importância quanto ao crescimento profissional e pessoal.

Atualmente, no Rio de Janeiro principalmente, a luta é mais dura ainda, pois o prefeito atual não tem a menor relação com a cultura e cortou todos os subsídios que há anos fomentavam parte do teatro feito no Rio, além de fechar vários aparelhos culturais e afirmar que artista vive do aplauso do povo (já pensei em pagar minha conta de luz com aplausos rsrsrs). E a roda vai girando, a cada momento você está em uma posição, como na vida.

Uma coisa boa é que vou acumulando peças ao longo do tempo e, em algum momento, as peças voltam para um circuito, uma viagem, nova temporada etc. E então vou conciliando as agendas. A gente aprende a viver com a não estabilidade, tanto da rotina, quanto do retorno financeiro. Hoje em dia consigo me equilibrar bem, mas essa não é a situação de grande parte dos meus colegas e isso me deixa triste, mas estamos sempre nos movendo para construir algo melhor. E é nisso que eu acredito, no movimento que gera mais movimento.

Suzana Nascimento como Dona Zaninha em apresentação no Cine Theatro Central – Foto- Arquivo Pessoal

DE ONDE VEM DONA ZANINHA

Suzana conta que a personagem Dona Zaninha, que dá vida a peça Calango Deu, vem de suas raízes familiares e ressalta que seu pai sempre contou calangos (Contos) em sua casa.

Logo, começou a observar tudo que estivesse a sua volta, como seus amigos, pessoas mais velhas e isso foi aguçando a cada dia mais sua vontade de pesquisar sobre esses detalhes cotidianos.

“Depois que a gente sai do lugar onde nasceu, é que sente falta e também consegue se distanciar e ver com mais clareza aquele universo. Quando a gente não está tão dentro, o olhar clareia e se amplia. Quis falar desse povo que me formou e é tão profundo”.

TURNÊ CALANGO DEU

A cinco anos rodando pelo Brasil, Suzana disse que não existe uma data limite para terminar a turnê de Calango Deu e que pretende ficar por mais alguns anos em cartaz com a peça.

“Todos me falam: você pode fazer essa peça até ficar com a idade da Dona Zaninha. Me divirto com isso, mas sem duvidar rs”.

Quanto aos demais projetos, Suzana disse que tem trabalhos em paralelo a peça e por conseguir conciliar tudo, não tem vontade alguma de deixar nada de lado.

Para finalizar

Para fechar o papo com chave de ouro perguntei se ela gostaria de deixar alguma mensagem para as pessoas que assim como ela, amam o teatro e desejam que esta arte se torne popular.

Logo, Suzana disse que acha muito importante falar sobre o que cada um de nós acreditamos e jamais esquecer do papel o qual é exercido pelo teatro como forma de comunicação na sociedade.

“Então, a plateia nunca deve ser esquecida. Nunca! Teatro existe porque há alguém atuando e alguém assistindo, vivenciando junto. Já vi muitas coisas que não se preocupavam com a plateia. É claro que arte não precisa ser entregue mastigada, cada ser humano é um universo e vai receber com a sua própria bagagem, seus filtros. E todos os estilos e linguagens sãos válidos e potentes, mas a comunicação tem que acontecer. Mais ainda, a comunhão. Teatro é encontro. E ele resistiu a guerras, golpes, muitos momentos tristes da história – prova incontestável da sua força e da vontade do ser humano de trocar experiências com o outro, num misto de encantamento e entrega, emoção e reflexão, com a maior verdade possível! “, comentou

 

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